Jiló

Nome científico: 
Solanum aethiopicum L.
Família: 
Solanaceae
Sinonímia científica: 
Solanum gilo Raddi, Solanum gilo Req. ex Dunal, Solanum integrifolium Poir. A sinonímia completa é muito extensa. Plants of the World Online registra 53 sinônimos para esta espécie.
Partes usadas: 
Fruto.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Água, proteína, gordura, carboidrato, fibra, cinzas, compostos fenólicos, flavonoides, carotenoides, saponinas, taninos, alcaloides, esteróis, terpenoides, minerais (P, Ca, Mg, P, Fe, Zn).
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante, anti-inflamatória, antidiabética, antimicrobiana, hipolipemiante, antiobesidade.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: African eggplant, Ethiopian eggplant, Scarlet eggplant, Garden egg, Bitter tomato
  • Francês: Aubergine africaine, Aubergine écarlate, Tomate amer
  • Espanhol: Berenjena africana, Berenjena etíope
  • Italiano: Melanzana africana, Melanzana etiope

Origem, distribuição

Solanum aethiopicum é uma espécie cultivada, originária do nordeste da África tropical, em uma região que inclui as atuais Etiópia e Eritreia. Encontra-se amplamente distribuída pela África tropical e por outras regiões tropicais e subtropicais do mundo, tendo sido introduzida em diferentes áreas da América e da Ásia.

Apresenta importância hortícola no Brasil, destacando-se o Gilo Group, associado aos tipos de jiló tradicionalmente cultivados no país.

Descrição

O jiloeiro é um arbusto herbáceo, podendo apresentar comportamento anual ou perene dependendo das condições ambientais e do material cultivado.

O caule é ramificado e ereto, podendo ocorrer espinhos. As folhas são relativamente grandes e apresentam variação considerável de forma, tamanho e pilosidade entre os diferentes grupos de cultivo.

As flores apresentam corola branca a azulada e estruturas reprodutivas típicas das Solanaceae.

O fruto é uma baga de sabor amargo. No jiló cultivado no Brasil, os frutos normalmente são colhidos ainda imaturos, quando apresentam coloração verde. Podem ser arredondados, ovais, oblongos, alongados.
 

Por que o jiló é amargo?

O sabor caracteristicamente amargo é uma das propriedades sensoriais mais conhecidas do jiló. Esse sabor está relacionado à presença de metabólitos secundários, incluindo determinados glicosídeos esteroidais.

Uso popular e medicinal

O jiló é tradicionalmente utilizado como alimento. Em diferentes culturas africanas, possui histórico de uso medicinal.

Uma revisão publicada em 2024 na revista Nutrients analisou 76 trabalhos de pesquisa publicados entre 1986 e 2024 relacionados às propriedades farmacológicas, fitoquímicas e nutricionais de S. aethiopicum.

Os principais efeitos investigados incluem atividades antioxidante, anti-inflamatória, antidiabética, hipolipemiante, antiobesidade e antimicrobiana.

Atividade antioxidante

Extratos e compostos presentes em S. aethiopicum demonstraram atividade antioxidante em diferentes modelos experimentais. Entre outros fatores, essa atividade é atribuída à presença de compostos fenólicos, flavonoides e outros metabólitos capazes de atuar sobre processos relacionados ao estresse oxidativo. Observada em laboratório, essa atividade não significa automaticamente efeito terapêutico comprovado em seres humanos.

Atividade anti-inflamatória

Estudos experimentais indicam que extratos de S. aethiopicum podem apresentar efeitos relacionados à modulação de processos inflamatórios. Os resultados são promissores, mas a maior parte das evidências ainda é pré-clínica, não sendo suficiente para recomendar o jiló como tratamento de doenças inflamatórias.

Potencial antidiabético

Pesquisas experimentais também investigaram efeitos de preparações de S. aethiopicum sobre a glicemia e o metabolismo de carboidratos. Há resultados indicando potencial de determinados extratos na modulação de parâmetros relacionados ao metabolismo da glicose, entretanto não equivalem à demonstração de eficácia do consumo do jiló como tratamento do diabetes em seres humanos.

Potencial hipolipemiante e antiobesidade

A presença de fibras e o baixo teor energético tornam o jiló nutricionalmente interessante dentro de uma alimentação equilibrada. Estudos experimentais investigaram possíveis efeitos de extratos da espécie sobre metabolismo lipídico e obesidade. A revisão de 2024 inclui a atividade antiobesidade entre os efeitos farmacológicos estudados.

Torna-se novamente necessário distinguir o efeito nutricional do alimento dos efeitos farmacológicos observados com extratos concentrados em modelos experimentais.

Atividade antimicrobiana

Alguns constituintes e extratos de S. aethiopicum apresentaram atividade contra microrganismos em estudos laboratoriais. Esses resultados justificam novas pesquisas fitoquímicas e farmacológicas, e não permitem recomendar o jiló como substituto de antibióticos ou de outros tratamentos antimicrobianos.

Constituintes químicos

Uma análise citada na revisão de 2024 encontrou aproximadamente, em 100 gramas de frutos de S. aethiopicum, água (89,27 g), proteínas (2,24 g), gorduras (0,52 g), carboidratos (4,14 g), fibra bruta (2,96 g) e cinzas (0,87 g). 

O fruto contém cálcio, magnésio, fósforo, ferro, zinco e quantidade particularmente significativa de potássio.

Do ponto de vista nutricional, jiló pode ser considerado uma hortaliça com elevado teor de água, baixo teor de gordura e presença de fibras e minerais.

Fitoquímica

Além dos nutrientes, S. aethiopicum apresenta os seguintes metabólitos secundários biologicamente ativos: compostos fenólicos, flavonoides, carotenoides, ácidos fenólicos, saponinas, taninos, alcaloides, esteróis, terpenoides, glicosídeos esteroidais.

Entre os compostos identificados em diferentes estudos estão derivados de ácido clorogênico, ácido cafeico, quercetina, kaempferol, rutina, carotenoides, entre outros.

 Referências

  1. Nutrients (2024). Nutritional Composition, Phytochemical Profiles, and Pharmacological Effects of Ethiopian Eggplant (Solanum aethiopicum L.) - Acesso em 9 de setembro de 2026.
  2. Royal Botanical Gardens, Kew. Solanum aethiopicum. Plants of the World Online - Acesso em 9 de setembro de 2026.
  3. Journal of Agricultural and Food Chemistry (2010). α-Solasonine and α-Solamargine Contents of Gboma (Solanum macrocarpon) and Scarlet (Solanum aethiopicum) Eggplants - Acesso em 9 de setembro de 2026.
  4. World Flora Online (2026). Solanum aethiopicum - Acesso em 9 de setembro de 2026.
  5. Image (no changes were made): Agnieszka Kwiecień, Nova, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

GOOGLE IMAGES de Solanum aethiopicum - Acesso em 9 de setembro de 2026.