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Quina-quina [1]

Enviado por Sergio Sigrist em qua, 15/04/2020 - 9:21am
Nome científico: 
Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum.
Família: 
Rubiaceae
Sinonímia popular: 
Murta-do-mato, quina, quina-branca, quina-de-pernambuco, quina-do-pará, quina-do-piauí, quineira.
Sinonímia científica: 
Portlandia acuminata Willd. ex Schult.
Partes usadas: 
Casca, entrecasca.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Heterósidas saponínicas, salsapogênicas, esmilagenina, parigenina, ácido salsápico, resina, esteróis, glicose, ácidos graxos, flavonoides, cumarinas.
Propriedade terapêutica: 
Antimicrobiana, diurética, abortiva, anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica.
Indicação terapêutica: 
Febre intermitente, malária, paludismo, ferida, inflamação, cálculo biliar.
tags: 
Febre [2]
Malária - Paludismo [3]
Ferida [4]
Inflamação [5]
Vesícula - colelitíase - cálculo - pedra [6]

Origem, distribuição

Distribuição do México até América tropical. Nativa do Brasil, amplamente distribuída em regiões úmidas da Amazônia e Mata Atlântica.

Descrição

Espécie arbórea atinge até 5,5 m, tronco tortuoso e copa globosa, com inflorescência rósea, extremidade dos ramos achatada, levemente estriada. Folha e margem do limbo inteira, filotaxia oposta. Frutos em cápsulas com bastantes sementes.

Usada como planta ornamental em paisagismo. A madeira é empregada na confecção de cabo de pequenas ferramentas, lenha e carvão. Considerada "árvore rara" devido ao extrativismo predatório para uso medicinal.

Uso popular e medicinal

Trabalhos científicos têm sido realizados para comprovar o extenso uso etnomedicinal de C. hexandra como analgésico e anti-inflamatório. De sabor amargo, a casca é usada contra febre intermitente, malária (ou paludismo), feridas e inflamações.

Estudos fitoquímicos revelaram a presença de flavonoides e cumarinas em extratos de C. hexandra.

Um estudo farmacológico atesta que o extrato aquoso da entrecasca possui efeitos anti-inflamatório e antinociceptivo e não apresenta toxicidade aguda em camundongos. O efeito antinociceptivo não está relacionado à ativação dos sistemas opioide e adenosina e ao menos parcialmente é decorrente da atuação do extrato aquoso em nível central [4].

Outro estudo verificou a ação antimicrobiana das cascas. O extrato etanólico das cascas foi submetido a testes qualitativos de difusão em discos para nove microrganismos de diferentes classes: Gram-positivas, Gram-negativas, álcool ácido-resistentes e leveduras. O extrato etanólico apresentou substâncias ativas para bactérias Gram-positivas e levedura e inativo para todos os microrganismos Gram-negativos [1].

Outro trabalho avaliou o potencial anti-hepatotóxico de extratos de cascas e folhas provenientes de C. hexandra e de outro vegetal também conhecido por quina: Strychnos pseudoquina. A autora afirma que os extratos das cascas (100 e 200 mg/kg) e das folhas (100 e 300 mg/kg) de C. hexandra aumentam significativamente o nível de albumina sérica quando comparado com o grupo controle com hepatotoxicidade induzida por paracetamol. Comparado a  estudos histológicos que sugerem que o extrato das cascas quando administrado na dose de 100 mg/kg tenha efeito anti-hepatotóxico, os resultados dos parâmetros bioquímicos não sustentam essa hipótese. Conclui que os extratos de cascas e folhas de C. hexandra têm fraco efeito anti-hepatotóxico em toxicidade induzida por paracetamol em ratos [2].

Cita-se que o chá da casca é popularmente utilizado no tratamento da malária em substituição às espécies de Chinchona. A casca inferior cozida (decocto) é empregada contra cálculos biliares para amenizar as dores da vesícula. Ensaios farmacológicos com animais têm demonstrado propriedade anti-inflamatória do extrato. Um estudo utilizando compostos isolados da casca sobre cobaias revelou que uma destas substâncias exerceu efeito relaxante sobre a traqueia. Externamente pode servir como cicatrizante contra feridas sob forma de banho e ou compressa.

A composição química contém heterósidas saponínicas, salsapogênicas, esmilagenina, parigenina, ácido salsápico, resina, esteróis, glicose e ácidos graxos [5].

 Dedicado a Viviane Coletti (Porto Alegre, RS)

 Referências

  1. Congresso Brasileiro de Química (2010): Determinação da atividade antimicrobiana de Coutarea hexandra [7] - Acesso em 12 de abril de 2020
  2. Universidade Federal de Viçosa (2009): Avaliação da atividade anti-hepatotóxica de duas espécies vegetais popularmente conhecidas como "quina" Strychnos pseudoquina e Coutarea hexandra [8] - Acesso em 12 de abril de 2020
  3. Guia de árvores da Mata Atlântica (UNICAMP, 2009): Coutarea hexandra [9] - Acesso em 12 de abril de 2020
  4. Revista Brasileira de Farmacognosia (2006): Efeito antinociceptivo e anti-inflamatório do extrato aquoso da entrecasca de Coutarea hexandra [10] - Acesso em 12 de abril de 2020
  5. Florien Fitoativos: quina-quina [11] - Acesso em 12 de abril de 2020
  6. Imagem: Flora Digital [12] (Autor: Martin Grings) - Acesso em 12 de abril de 2020
  7. The Plant List: Coutarea hexandra [13] - Acesso em 12 de abril de 2020

GOOGLE IMAGES de Coutarea hexandra [14] - Acesso em 12 de abril de 2020

 

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