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Quiabo, quiabeiro [1]

Enviado por Sergio Sigrist em qui, 19/02/2015 - 7:17am
Nome científico: 
Abelmoschus esculentus (L.) Moench
Família: 
Malvaceae
Sinonímia científica: 
Abelmoschus tuberculatus var. deltoidefolius T.K.Paul & M.P.Nayar
Partes usadas: 
Raiz, folha, fruto, semente.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Mucilagem (ácido galacturônico, ramnose e glicose), pectina. Rico em fibras, vitaminas e minerais.
Propriedade terapêutica: 
Emoliente, diurética, antiespasmódica, estimulante, sudorífera.
Indicação terapêutica: 
Sífilis, cortes, ferida, furúnculo, infecção catarral, ardor urinário, disúria (problema urinário), gonorreia.
tags: 
Ferida [2]
Furúnculo - abscesso [3]
Blenorragia - gonorreia - sífilis - doença sexualmente transmissível [4]
Catarro [5]
Problema urinário [6]

Nome em outros idiomas

  • Inglês: okra (EUA), lady's fingers (Grã-Bretanha)
  • Alemão: gemüse-eibisch
  • Francês: gombo, gumbo
  • Espanhol: quingombó 

Origem, distribuição
Provável origem geográfica é oeste da África, Etiópia e sul da Ásia. 

Descrição [2]

As folhas lobadas e peludas têm entre 20 e 30 cm de comprimento. As flores têm cor amarela, com um coração vermelho ou rosa. O fruto é uma cápsula cônica mais ou menos alongada contendo, na maior parte do tempo, 5 cavidades porta-óvulos cuja cor pode ser verde, violeta, vermelho ou branco dependendo do cultivar. Alguns cultivares podem passar de 3 m.

Abelmoschus esculentum produz uma flor a cada dois ou três dias. 

Flores do gênero Abelmoschus são hermafroditas. Os insetos são muito atraídos pelas pétalas amarelas.

Pertencem a família do quiabo várias espécies de importância econômica dentre as quais algodão (Gossypium hirsutum), cacau (Theobroma cacao) e espécies ornamentais de hibiscus, aliás um sinônimo botânico de Abelmoschus esculentum é Hibiscus esculentus.

Espécies de quiabo são cultivadas pelo fruto (Abelmoschus esculentum, Abelmoschus caillei), pelas folhas (Abelmoschus manihot) ou sementes (Abelmoschus moschatus)

Uso popular e medicinal [1,3]

As raízes são ricas em mucilagem, tendo ação fortemente demulcente (substância viscosa que exerce ação protetora local). Conhecida popularmente como a baba do quiabo, essa mucilagem - um polissacarídeo composto de ácido galacturônico, ramnose e glicose - pode ser utilizada como substituta do plasma e expansora do volume sanguíneo. Para obtê-la, colocar fatias de frutos verdes em água e ferver.

O suco das raízes é usado externamente no Nepal para tratar cortes, feridas e furúnculos. As folhas fornecem um cataplasma emoliente. A decocção das cápsulas imaturas é emoliente e diurética. É utilizada no tratamento de infecção catarral, disúria (ardor urinário) e gonorreia. As sementes são antiespasmódica e estimulante. 

A infusão das sementes torradas tem propriedades sudoríficas.

Os frutos são ricos em pectina, ferro e cálcio. Pectina é importante em nosso organismo por formar, juntamente com a água ingerida, um gel que absorve parte da gordura consumida na refeição, impedindo o armazenamento desta gordura por nosso organismo. Além disso, pectina diminui a sensação de fome, o que faz com que passemos a comer menos, com mais qualidade.

Folhas e frutos verdes são usados no Oriente em cataplasmas e aplicados para aliviar a dor, hidratar a pele, induzir a transpiração, prevenir o escorbuto e tratar distúrbios urinários. No Congo-Brazzaville, a decocção da folha é empregada em dores do coração e promoção da contração do parto. Na Malásia a infusão da raiz de quiabo tem sido usada para tratar a sífilis.

 Culinária [3]

Quiabo é amplamente utilizado na cozinha internacional. É muito popular no sul dos EUA onde serve para engrossar o "gumbo", um guisado (ou sopa grossa) feito com carnes ou mariscos que se come com arroz branco. Frutos verdes são geralmente cozidos, fritos, grelhados ou consumidos crus. São usados ​​em sopas, molhos, ensopados, salteados e saladas.

O quiabo é rico em fibras, vitaminas e minerais. As vagens têm sabor e textura única e liberam a mucilagem viscosa quando cozidas. A mucilagem pode ser usada para engrossar molhos e adicionar suavidade a sopa. Na Índia essa substância é usada em produtos de confeitaria e para branquear melaço (caldo-de-cana).

As folhas jovens são utilizadas como espinafre na África Ocidental e Sudeste Asiático. Costuma-se secá-las e moe-las em pó para armazenamento. Botões de flores e pétalas são ingeridos em tempos de escassez de alimentos.

Sementes de quiabo são por vezes usadas no lugar de ervilhas, feijão ou lentilhas em pratos de arroz e sopas. Na Nigéria, as sementes são preparadas em um alimento conhecido como "dandawan Betso". Na Índia, as sementes de quiabo são consumidas em curries e chutneys.

Sementes fritas de quiabo são moídas e servidas em substituição ao café em algumas regiões da América Central, África e Malásia.

Sementes, cozidas ou moídas, são utilizadas na fabricação de pão ou feitas em "tofu" ou "tempeh" (receita asiática a base de leite de soja, resulta num produto parecido com queijo).

A semente contém até 22% de óleo comestível.

Um prato tipicamente brasileiro e famoso no Estado de Minas Gerais é "frango com quiabo".

Composição de alimentos por 100 gramas de parte comestível [4]

Quiabo cru
Principais Minerais Vitaminas
Umidade % 90,6 Cálcio mg 112 Retinol µg NA
Energia 30 kcal; 125 kJ Magnésio mg 50 RE µg 49 
Proteína g 1,9 Manganês mg 0,46 RAE µg 25
Lipídeos g 0,3 Fósforo mg 56 Tiamina mg 0,10
Colesterol mg NA Ferro mg 0,4 Riboflavina mg Tr
Carboidrato g 6,4 Sódio mg 1 Piridoxina mg 0,03
Fibra alimentar g 4,6 Potássio mg 249 Niacina mg Tr
Cinzas g 0,8 Cobre mg 0,17 Vitamina C mg 5,6
    Zinco mg 0,6    
​Outros usos [3]

A casca de quiabo produz uma fibra fina, áspera, resistente, cuja cor varia do branco ao amarelo. Na África Tropical a fibra é tecida em fio, enrolada e usada como linha de pescar, em armadilhas de caça e redes. Também tem sido usada em produção de papel e cartão.

 Referências

  1. Plants for a Future: Abelmoschus esculentus [7] - (L.) Moench - Acesso em 15/2/2015 
  2. Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA): Quiabo [8]  - Acesso em 15/2/2015
  3. Kew Royal Botanic Gardens: Abelmoschus esculentus [9] (okra) - Acesso em 15/2/2015
  4. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), 4a. ed., 2011.
  5. Image: Wikimedia Commons [10] (Author: Pinus); Worldcrops: Okra Abelmoschus esculentus [11] - Acesso em 15/2/2015
  6. The Plant List: Abelmoschus esculentus [12] - Acesso em 15/2/2015

GOOGLE IMAGES de Abelmoschus esculentus [13] - Acesso em 15/2/2015

 

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