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Caruru, bredo [1]

Enviado por Sergio Sigrist em seg, 22/10/2012 - 10:52am
Nome científico: 
Amaranthus viridis L.
Família: 
Amaranthaceae
Sinonímia popular: 
Caruru-de-cuia, caruru-roxo, caruru-de-mancha, caruru-de-porco, caruru-de-espinho, bredo-de-chifre, bredo-de-espinho, bredo-vermelho, bredo.
Sinonímia científica: 
Albersia caudata (Jacq.) Boiss.
Partes usadas: 
Folhas, talos e sementes.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
As folhas são ricas em taninos vegetais, saponinas, alcaloides, proteínas e glicosideos. Contém boa quantidade de ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2, C.
Propriedade terapêutica: 
Lactígeno, emoliente, vermífuga, antibacteriana, antidiabética, anti-hiperlipidêmica, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Infecções, problemas hepáticos, hidropsia, catarro da bexiga, tratamento da inflamação durante a micção, constipação, disenteria.
tags: 
Prisão de ventre - constipação - obstipação [2]
Doença hepática [3]
Catarro [4]
Inflamação [5]
Disenteria [6]
Hidropsia [7]

 Esta espécie é considerada Planta Alimentícia Não Convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: green amaranth
  • Francês: amarante verte
  • Alemão: grüner amarant
  • Espanhol: bledo
  • Italiano: amaranto verde

Origem, distribuição 
Nativa da América tropical, considerada planta invasora. Ocorre com frequência em solos com bom teor de matéria orgânica. Possui grande capacidade reprodutiva 
e tem curto ciclo vegetativo.

Descrição
Espécie herbácea, anual, às vezes perene, de 10 a 60 cm de altura. Cresce em locais onde se pratica alguma atividade agropecuária, terrenos baldios e ao longo das margens de rodovias.

Apresenta caule ereto ou decumbente, fino, suculento, ramificado desde a base, glabro, com predomínio de coloração verde, podendo apresentar pigmentação vermelha.

Folhas simples, alternadas, geralmente escassas e espaçadas, longo pecíolo verde ou com pigmento avermelhado. Limbo lanceolado com manchas irregulares de diferentes tons, margem levemente ondulada e ápice com pequena reentrância. 

Inflorescência terminal em panícula formada de espigas com flores unisexuais pequenas, com até 3 pétalas de 1,5 a 2 mm de comprimento. Flores de sexo masculino situam-se nas pontas das inflorescências e as femininas na base. Tanto as masculinas quanto as femininas são rodeadas por brácteas. A floração ocorre durante todo o ano.

Fruto pequeno (1,5 a 2 mm de comprimento), superfície enrugada, contém uma única semente castanho-escuro (1 a 1,5 mm de diâmetro) com uma textura de superfície verrucosa.

A propagação é por meio de sementes.

Uso popular e medicinal 
A decocção da planta inteira é usada para conter disenteria e inflamação. A planta é antidiabética, anti-hiperlipidêmica (diminui a concentração de gordura no sangue), antioxidante, emoliente, vermífuga. Possui lectinas com atividades antiproliferativa (não deixa as células multiplicarem-se) e antifúngica (previne ou inibe a proliferação de fungos).

O suco da raiz é utilizado para tratar a inflamação durante a micção, prisão de ventre e constipação.

Ajuda a defender o organismo contra infecções. É recomendada como preventivo no tratamento de problemas hepáticos.

O infuso favorece a diurese e tem aplicação nas moléstias do fígado, na hidropsia e no catarro da bexiga. É bom lactígeno.

Pesquisadores relatam que o extrato metanólico de folhas secas e sementes de A. viridis apresentam atividade antibacteriana contra diferentes estirpes de bactérias e fungos. O rendimento do extrato de folhas secas e sementes variou 5,5 - 6,1 e 2,42 % - 3,72 % w/w, respectivamente. A análise fitoquímica mostrou que as folhas são ricas em taninos vegetais (6,07% - 5,96%), saponinas (53% -32%), alcaloides (13,14% - 11,42%), proteínas (16,76% - 24,51%) e glicosideos (63,2% - 32,3%) [3].

 Culinária
Após cozidos e escorridos, as folhas e os talos do caruru são utilizados em refogados, molhos, tortas, pastéis e panquecas.

As sementes são usadas para fazer pães e podem também ser ingeridas torradas ou cozidas. São pequenas e muito nutritivas, contém 14 a 16% de proteína e 4,7 a 7% de gordura. 

Pesquisadores de vários países dedicam-se a resgatar esta planta como uma espécie capaz de ajudar a enfrentar a situação de fome e desnutrição em algumas regiões por sua rusticidade, fácil cultivo, paladar agradável e ótimas qualidades nutricionais das folhas, talos e sementes, das quais pode-se extrair farinha. 

Valor nutricional do peso seco das folhas por 100 g de alimento [1]

Calorias 283
Água 0%
Proteína 34,2 g
Gordura 5,3 g
Carbohidratos 44,1 g
Fibra 6,6 g
Cinzas 16,4 g
Cálcio 2243 mg
Fósforo 500 mg
Ferro 27 mg
Magnésio 0 mg
Sódio 336 mg
Potássio 2910 mg
Zinco 0 mg
Vitamina A 50 mg
Tiamina (B1) 0,07mg
Riboflavina (B2) 2,43mg
Niacina (B3) 11,8mg
B6  0 mg
Ácido ascórbico (C) 790 mg

Outros usos 
Corantes amarelos e verdes podem ser obtidos a partir da planta inteira.

Registros arqueológicos revelam o cultivo desta espécie há milhares de anos nas Américas Central e Sul. Era associada ao milho como planta sagrada.

Nota
Algumas plantas também são chamadas de caruru, mas não são da família Amaranthacea. É o caso do caruru-de-sapo (Oxalis martiniana Zuccini, família Oxalidaceae); o caruru-do-reino (Boussingualtia baselloides H.B.K., família Baselaceae); caruru-bravo, família Fitolacaceae; caruru-das-cachoeiras (Mourera fluviatilis Aublet, família Podostemaceae); caruru-língua-de-caca (Talinum patens Jacquin, família Portulacaceae) e muitas outras.

 Colaboração

  • João Luiz da Cruz Dias, arquiteto aposentado pelo Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET/PA). Setembro de 2006.
  • Érika Alves Tavares Marques (Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE)., Setembro de 2006.
  • Wallace Bezerra de Menezes, Engenheiro Eletricista (EPUSP), São Paulo. Setembro de 2006.
  • Tarsila Sangiorgi Rosenfeld, Comunicóloga (São Paulo, SP). Setembro de 2006.​

 Referências

  1. Plants for a Future: Amaranthus viridis [8] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  2. Research In Pharmaceutical Biotechnology: Pharmacognostic evaluation of the Amaranthus viridis L. [9] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  3. Scientific Research: Phytochemical profiling with antioxidant and antimicrobial screening of Amaranthus viridis L. leaf and seed extracts [10] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  4. Gardening directions: Jamaican Callaloo [11] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  5. Brisbane City Council: Green amaranth [12] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  6. Horto Didático de Plantas Medicinais do HU (UFSC): Caruru-de-mancha [13] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  7. Agrolink: Caruru comum [14] - Acesso em 18 de outubro de 2015
  8. MOREIRA, H. J. C; BRAGANÇA, H. B. N. Manual de Identificação de Plantas Infestantes. FMC Agricultural Products, São Paulo (SP). 2011
  9. ZURLO, C.; BRANDÃO, M. As Ervas Comestíveis. Editora Globo S/A. São Paulo (SP).
  10. Grau, Jung & Münker. Plantas Medicinales. Editora BLUME, Barcelona, ES.
  11. MOREIRA, F. As Plantas que Curam. Editora Hemus. São Paulo (SP).
  12. Guias Rurais. Horta e Saúde.  Editora Abril, São Paulo (SP).
  13. BALBACH, A. A flora nacional na medicina doméstica. Edições “A edificação do lar”, v. 2, 4ª ed. São Paulo (SP).
  14.  The Plant List: Amaranthus viridis [15] - Acesso em 18 de outubro de 2015

GOOGLE IMAGES de Amaranthus viridis [16] - Acesso em 18 de outubro de 2015
 

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