Cabreúva [1]
Enviado por Sergio Sigrist em sex, 20/03/2026 - 10:32am
Origem, distribuição
Cabreúva é nativa da América do Sul, ocorrendo naturalmente no Brasil (regiões Sul, Sudeste, Nordeste) e países vizinhos (nordeste da Argentina, Paraguai, Bolívia).
Nomes em outros idiomas
- Inglês: balsamo
- Espanhol: incienso, ibirá-payé, quina morada
Descrição
Árvore perenifólia (sempre-verde), de grande porte, podendo atingir de 25 a 30 metros de altura e 60 a 100 cm de diâmetro no tronco adulto. Tronco reto, cilíndrico, com casca externa fissurada, coloração pardo-acinzentada. A casca interna é amarelada a rosada e exsuda um óleo-resina aromático quando cortada.
As folhas são compostas, imparipinadas, alternas. As flores são pequenas, branco-amareladas, hermafroditas, reunidas em inflorescências do tipo panícula terminal. São perfumadas e ricas em néctar, atraindo abelhas.
O fruto é sâmara (seco, indeiscente, alado), com parte central globosa contendo uma única semente, e uma asa membranácea circundando o corpo do fruto, facilitando a dispersão pelo vento (anemocoria).
A madeira da cabreúva é nobre, excepcionalmente durável, pesada, resistente e com um belo acabamento, sendo utilizada desde obras externas (pontes, dormentes) até na marcenaria fina e na construção civil.
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O nome "cabreúva" e seus sinônimos "óleo-pardo" e "pau-de-óleo" origina-se do aroma balsâmico intenso de sua madeira. Este óleo essencial, rico em nerolidol, é muito valorizado na indústria de perfumes e cosméticos. A madeira costuma ser queimada como incenso em cerimônias e também funciona como um repelente natural de insetos. |
Uso popular e medicinal
A casca do tronco é a parte mais utilizada na medicina popular, com diversas formas de preparo:
- Chá (infusão/decocto da casca): para problemas digestivos (úlceras), como fortificante para o coração e nervos, e para tratar problemas respiratórios como asma, bronquite e hemorragias pulmonares.
- Xarope (da resina da casca): empregado para afecções respiratórias (bronquite aguda/crônica, asma), além de cistite, gonorreia e uretrite .
- Tintura (álcool com a casca): usada topicamente para limpeza e cicatrização de feridas .
Uso externo geral: o extrato alcoólico da casca é tradicionalmente aplicado como anti-inflamatório e cicatrizante, inclusive para reumatismo.
Evidências científicas
A ciência começou a investigar a cabreúva recentemente, confirmando e elucidando seus usos tradicionais. As principais descobertas são:
Ação antioxidante. Estudos in vitro demonstraram que o extrato da casca tem boa capacidade de neutralizar radicais livres, protegendo as células do estresse oxidativo .
Ação anti-inflamatória potente: Este é o principal benefício comprovado. O extrato da casca demonstrou reduzir significativamente a migração de leucócitos (especialmente neutrófilos) e os níveis de mediadores inflamatórios cruciais, como TNF-α, IL-6 e óxido nítrico (NOx) . Esses são os mecanismos que justificam seu uso tradicional para inflamações e feridas.
Compostos ativos. A análise química revelou a presença de isoflavonas como biochanina A e formononetina. Essas substâncias são bem conhecidas na literatura científica por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e, no caso da formononetina, por seus efeitos benéficos na saúde óssea e cardiovascular.
Ecologia
Por ser uma leguminosa (família Fabaceae), há indícios de que a cabreúva possa ter a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico no solo, em simbiose com bactérias, o que é um benefício ecológico importante.
Cuidados e possíveis contraindicações
Toxicidade em animais. Apesar de seus benefícios, a cabreúva exige atenção, pois pode ser tóxica. Até 2024, não havia relatos de toxicidade, mas atualmente soube-se de um surto de fotossensibilização hepatógena (sensibilidade severa à luz devido a danos no fígado) em bovinos que ingeriram folhas verdes da cabreúva após a queda de árvores em uma tempestade.
Implicações para o uso humano. Deve-se ter atenção na coleta e preparo. Tradicionalmente o uso medicinal concentra-se na casca do tronco e não nas folhas, o que reforça a necessidade de se utilizar a parte correta da planta e ter cautela com a dosagem, preferencialmente sob supervisão de um profissional de saúde, devido ao potencial de toxicidade hepática.
Contraindicações: Não há estudos específicos, mas por precaução, seu uso interno é desaconselhado para gestantes, lactantes e crianças. Pessoas com doenças hepáticas pré-existentes também devem evitar o uso.
Referências
- Journal of Ethnopharmacology (2021). Antioxidant and anti-inflammatory action (in vivo and in vitro) from the trunk barks of Cabreúva [8] - Acesso em 15 de março de 2026
- Plants for a Future. Myrocarpus frondosus [9] - Acesso em 15 de março de 2026
- Royal Botanic Garden (KEW). Myrocarpus frondosus [10] - Acesso em 15 de março de 2026
- ITTO (Lesser Used Species). Cabreúva [11] - Acesso em 15 de março de 2026
- World Flora Online (2026). Myrocarpus frondosus [12] Allemão - Acesso em 15 de março de 2026
- Imagem: Paulo Ernani Ramalho Carvalho (EMBRAPA Florestas [13])
GOOGLE IMAGES de Myrocarpus frondosus [14]


