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Bulbo-venenoso-africano [1]

Enviado por Sergio Sigrist em seg, 02/02/2026 - 12:43pm
Nome científico: 
Boophone disticha Herb.
Família: 
Amaryllidaceae
Sinonímia científica: 
Amaryllis disticha, Haemanthus toxicarius
Partes usadas: 
Bulbo
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Alcaloides (crinano, lycorina), composto aromático eugenol.
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante, potencial anticâncer
Indicação terapêutica: 
Tratamento de feridas, queimaduras, úlceras, dores, uso dermocosmético, inflamação.
tags: 
Alívio de dor [2]
Ferida [3]
Queimadura [4]
Úlcera [5]
Inflamação [6]

Origem, distribuição
Planta bulbosa nativa das savanas e áreas abertas da África subsaariana, ocorrendo desde o Sudão até a África do Sul, em pastagens e matagais secos.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: bushman’s poison bulb, poison bulb
  • Africâner: gifbol (“bulbo venenoso”)

 

Boophone disticha não é uma planta conhecida popularmente no Brasil. Ela não ocorre naturalmente aqui e raramente aparece em cultivo, o que impede a fixação de um nome vernacular brasileiro. Quando citada em textos acadêmicos, coleções botânicas ou divulgação científica, costuma aparecer como Boófone (aportuguesamento do gênero Boophone) ou Boophone disticha (mantido apenas o nome científico)

Em geral, não há nome popular brasileiro oficial ou amplamente usado.

Descrição

Boophone disticha é um geófito herbáceo perene com um bulbo grande, parcialmente exposto ao solo, de onde surgem folhas verdes dispostas em leque depois da floração.

Na primavera a planta produz uma única inflorescência esférica com dezenas de flores rosa ou vermelhas com perfume doce, antes das folhas crescerem.

Ao amadurecer, o fruto da planta forma uma estrutura que se solta e rola pelo vento espalhando sementes, daí o apelido em inglês “tumbleweed”. Alguns povos africanos usavam a planta também em rituais para induzir estados alterados de consciência devido aos efeitos psicotrópicos dos alcaloides.

O nome "boophone" deriva do grego bous (“boi”) + phone (“morte”), refletindo a toxicidade da planta observada historicamente pelos povos africanos.

Uso popular e medicinal

O bulbo contém diversos alcaloides e compostos bioativos destacando-se:

  • Alcaloides do tipo crinano e lycorina, com atividades farmacológicas conhecidas em outras espécies de Amaryllidaceae.
  • Composto aromático eugenol, cheiro característico de cravo, com ação analgésica.

Esses compostos podem ter efeitos analgésicos e até psicotrópicos, mas também são altamente tóxicos em doses elevadas. Em casos de ingestão excessiva ocorrem agitação, alucinações, estupor, coma e até morte.

Boophone disticha foi (e ainda é) tradicionalmente utilizada para envenenar pontas de flechas, comprovando seu uso como potente tóxico.

Além do efeito neurotóxico e citotóxico, extratos da planta mostram potencial para interferir em vias neuronais e causar efeitos severos em órgãos como fígado e sistema nervoso em modelos animais.

Apesar de venenosa, a planta possui uso tradicional em medicina popular africana, em doses controladas e aplicações externas ou rituais:

  • Tratamento de feridas, queimaduras, úlceras e dores.
  • Estudos etnobotânicos recentes mostram que extratos brutos exibem compostos com atividade antioxidante e potencial anticâncer em testes laboratoriais.
  • Usos dermocosméticos e contra inflamação também são relatados em fontes etnobotânicas atuais.

A maior parte dos usos medicinais é tradicional ou pré-clínica, ainda não há evidência clínica robusta que respalde aplicações terapêuticas seguras em humanos sem risco. Estudos clínicos são necessários para validar a eficácia e doses seguras antes de qualquer uso medicinal concreto.

 Referências

  1. OBM Integrative and Complementary Medicine (2025). A Review on the Ethnomedicinal Plants Used in Zimbabwe for the Treatment and Management of Skin Conditions: Perspectives on Pharmacological and Toxicological Evaluation [7]
  2. Tonisi et al. (2020). Evaluation of bioactive compounds, free radical scavenging and anticancer activities of bulb extracts of Boophone disticha from Eastern Cape Province, South Africa [8]
  3. Plants of the World Online (Kew). Boophone disticha [9]
  4. World Flora Online (2026). Boophone disticha [10] - Acesso em 2 de fevereiro de 2026
  5. Image (no changes were made): JMK [11], CC BY-SA 4.0 [12], via Wikimedia Commons

GOOGLE IMAGES de Boophone disticha [13]


 

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